Precisamos de mais 1000 anos de negligência na Educação?
Ontem foram divulgados alguns índices que talvez não sejam surpreendentes aos brasileiros. Mas não deixam de ser infelizes e incompatíveis com a declarada e constante “luta” pela democracia tanto no Brasil como no mundo.
A cada cinco jovens brasileiros, um abandonou o ensino fundamental. Com maior destaque nos estados do Nordeste e com o menor índice no estado de São Paulo. Dessa forma fica comprovada a disparidade regional em educação. O que também é fator causal de outras disparidades, políticas, econômicas, trabalhistas... Além do fato de que, carentes de uma educação eficiente ou simplesmente de uma educação presente, a população torna-se muito mais suscetível à manipulação, seja de uma autoridade local (como o coronel, que ainda existe) seja de autoridades políticas regionais ou federais. Não são vistos como seres humanos em potencial, que podem crescer,criar, trabalhar e desenvolver o país. São vistos apenas como massa de manobra que serve ao manipulador como bem lhe entender.
Em Dezembro de 2007 os resultados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) já traçavam um quadro devastador do sistema educativo nacional. 57 nações foram avaliadas, e o Brasil obteve 53° lugar em matemática, 52° em ciências e 48° em leitura.
O que tem no Brasil então que o torne alvo de investimentos, que o faça parte da tão citada BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China)? Trator, cana-de-açúcar, latifúndio e minério de ferro. E claro, bundas, futebol, em suma, Rio de Janeiro. Entretanto esse regime de beleza brasileira está se esgotando, a favelização se estende e o tráfico aumenta, matando várias bundas por aí. O negócio agora do Brasil é exportar matérias primas pra países industrializados. Que novidade não?
Temos provas de que se houver oportunidades o brasileiro consegue crescer. A cada dia que passa descobrem coisas novas que são de um valor muito grande para o homem, como por exemplo o biodiesel e a sacola orgânica. E ao mesmo tempo um outro Brasil totalmente debilitado e carente.
E uma última coisa, a questão de exportação de matérias primas, por acaso deu certo no Brasil? Porque é isso que nós fazemos desde 1500. Se 508 anos não foi o bastante para entendermos que não... Sinal de que falta muita educação por aí.
Escrito por Giulia às 13h06
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Bozzo, o retorno.
Pensaram que iam se livrar de mim? Não tão cedo! Pois é meus amigos, estou de volta e pior do que nunca! Estou muito feliz de voltar a escrever, talvez esteja um pouco enferrujada, mas logo retomo o ritmo e espero postar com freqüência. Peço desculpas, principalmente a Giulia, que permaneceu firme e forte 2007 inteiro, mas eu não sou tão ninja como ela é, nem japa eu sou. Estive ausente porque não conseguia escrever, sabe como é, vestibular, estudo, concentração, pressão. Não tinha muito tempo, e mesmo quando tinha, ou pensava em alguma coisa, havia um cansaço mental, sei lá. Mas agora isso já acabou...Abstive-me de muitas coisas esse último ano, mas creio que valeu a pena e espero me realizar de alguma forma com meu sonhado curso de História. Bom, mas antes que vocês chorem com minha comovente história de vida, chega né. Espero sempre continuar me expressando de alguma forma e prometo nunca mais abandonar o biscoitão!

Escrito por Bozzo às 17h19
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Cotas infinitas de ignorância
Hoje me deparei com uma notícia que me chamou a atenção. Um Juiz concedeu uma liminar para garantir a matrícula de alunos na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) sem a reserva de vagas das cotas para negros e estudantes de escolas públicas. É claro que a Universidade irá recorrer da decisão e talvez o sistema de cotas seja mantido, mas finalmente alguém esboçou uma reação diante do que estão fazendo com o ensino superior público brasileiro.
Além de ser mais uma forma de ‘sucatear’ as universidades comprometendo a qualidade de ensino a lei de cotas é uma explícita atitude de racismo. Trata-se de um raciocínio simples: se você atinge a pontuação necessária no vestibular para entrar na faculdade, mas não consegue devido à cor da sua pele, isso é discriminação. Ou não? Ou aqui no Brasil todos pensamos como a ministra Matilde Ribeiro, titular da Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade Racial que declarou que não é racismo um negro não querer conviver com um branco, que isso é natural?
Será que na nossa sociedade super cientificista não nos demos conta de que é provado que a espécie humana não pode ser dividida em raças? Se as raças nem ao menos existem realmente não podemos criar leis para separá-las, ou privilegiar uma ou outra. É impossível classificar exatamente as pessoas segundo um critério da cor da pele, o Brasil possui uma enorme diversidade étnica e cultural, fazemos parte de uma grande e única mistura de povos. Não estou negando que exista racismo no Brasil, claro que existe, todos os tipos de preconceito, o ser humano na sua estupidez ainda não aprendeu a conviver e aceitar as diferenças, é cheio de ódios e tolice. Mas realmente não creio que essa seja a questão das cotas, ela vai muito além da discriminação racial, o que fica claro na existência de cotas para alunos oriundos de escolas públicas.
Os políticos em busca de justificar sua falta de coragem e competência para fazer um ensino público de qualidade de no Brasil (condizente com os impostos pagos pela população), para investir no ensino básico e para diminuir as desigualdades sociais, usam essas questões ditas ‘polêmicas’ para desviar a atenção dos verdadeiros motivos de os alunos de escola pública, ou negros terem dificuldades para entrar nas Universidades do país.
Os negros possuem uma longa história de exploração, mas a escravidão já acabou há muito tempo e nada foi feito para dar condições a essa significativa parcela da população brasileira de ter uma vida digna, sem estar condenada à pobreza e à exclusão. Emprego, renda, moradia, saúde, escola e universidade de qualidade para todos, isso sim seria justo, e não esmolas para os sempre esquecidos pelos governantes.
Colocar pessoas a qualquer custo dentro das Universidades não é a solução para os problemas educacionais do Brasil. Isso apenas cria mais problemas. A discriminação acontece exatamente quando você separa, trata alguém de modo diferente por uma razão de aparência, preferência. Uma solução discriminatória para a discriminação é algo genial.
E nós estamos no meio de toda essa história e veremos bem de perto o efeito dessa política fruto de hipocrisia e da incompetência. Ainda há tempo de tentar outro caminho. Quem sabe ainda não nos unimos, brancos, pretos, amarelos, azuis, verdes, e conseguimos construir algo melhor e mais justo que essa sociedade que nos é apresentada cada vez mais decadente e omissa, que errou no passado, erra no presente e errará mais ainda no futuro, tudo de novo, se continuar a nada aprender.
*A notícia detalhada encontra-se nessa página http://ultimainstancia.uol.com.br/noticia/46634.shtml
Escrito por Bozzo às 17h02
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Um feliz natal e ano novo
Que esqueçamos as desavenças, as situações mal resolvidas, as dívidas (monetárias e emocionais), as decepções, os nossos erros, os erros dos outros, as mancadas; que o que a distância separou seja unido novamente com um abraço, um beijo e umas palavras; que perdoemos a todos, assim, como quem distribui migalhas de pão para os pombos; e que mesmo vendo aquela tia chata esqueçamos isso, é Natal, é Ano Novo! Tudo supera!
Quer dizer, só por cinco dias, os outros 360, as desavenças, as situações, as dívidas, os erros e a distância perdurarão, e a tia chata continuará sendo super legal!
Existe uma mania de natal, um emaranhado embaraçado no inconsciente coletivo do período natal-ano novo. “Vamos nos amar!(nem que seja só no dia de natal)”. É este então um amar real e verdadeiro? É sólido e suficiente? Criamos artimanhas de enganar nosso cérebro estabelecendo afetos casuais, digo, eventuais, no sentido de evento mesmo.
O “espírito” fraterno do papai noel é incorporado por nós e distribuímos amor, sorrisos e risadas assim, como uma máquina de café expresso. Só apertar que sai uma risada. Só apertar que sai um sorriso (super espontâneo). O que ocorre da mesma forma com o perdão. Aquele fulano fez uma sacanagem contigo? Sabotagem no trabalho? Intrigas? Dissimulações? Ah, é Natal, vamos perdoar. E o mais interessante de tudo é que na maioria das vezes esses fulanos nem sequer pediram perdão, nem sequer reconheceram seus erros. Mas que é que tem, no Natal e Ano Novo o perdão vira panfleto.
Ah, a distância. O ano inteiro sem ver a pessoa, e o pior sem falar com ela. No natal e ano novo? Melhores amigos!!! Uma demonstração do diálogo profundo e íntimo: - Oi! (sorriso de orelha a orelha)
- Que saudade! (sorriso idem)
- E aí tudo bem? (e o sorriso continua)
- Tudo e você? (e o sorriso continua idem)
- Também. (as bochechas começam a doer)
- É... e ae, que é que você me conta? (olhadinha pro lado pra ver se o peru já está na mesa)
- Ah... hum... É tão bom ver todo mundo reunido! (uma golada tensa de vinho)
- É... (e o peru não chegou)
- Pois é. (outra golada)
- (o peru vem) Olha lá o peru na mesa!
- Oh, é com o molho de laranja? (outro gole)
- Sim. (olhar terno para o peru)
- Igual ao ano passado...
- Pois é...
[...]
- ... Mas o ano passou depressa não?
E assim é o que acontece em muitos natais e anos novos por aí.\
Um Feliz Natal a Ano Novo pra vocês, mas cheio de lucidez e consciência. Que joguemos nossas máquinas de afeto expresso no lixo!!! E que então sejamos o que queremos ser.
Escrito por Giulia às 21h30
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Mentes frágeis, anseios brutos
Crimes que abalaram a sociedade, como a morte do garoto João Hélio e a agressão à doméstica no Rio de Janeiro, fizeram com que o povo mostrasse sua indignação. Protesto por uma educação melhor para que seja possível mais oportunidades? Não, o que queremos é punição. Queremos que os criminosos apodreçam na cadeia. São menores? Que reduza a maioridade penal. Queremos ver grades e mais grades. Mas nesse jogo de jaulas, o difícil é saber de que lado da grade estamos.
O recente filme Tropa de Elite, já assistido por milhões de brasileiros, surpreende a todos pelo seu estrondoso sucesso. Nenhum filme nacional provocou tanto estardalhaço quanto esse. Por quê? A razão é a vingança, a punição. O narrador-protagonista, Capitão Nascimento, cumpre seu dever custe o que custar. Torturas, vidas de inocentes... Os fins justificam os meios. A sociedade então adotou Nascimento como herói nacional, um gesto desesperado de um povo desequilibrado, psicologicamente desfalcado e sedento por culpados.
A questão do herói no Brasil também é um fator que deve ser levado em consideração. Na literatura somos marcados por heróis nada convencionais, os “heróis sem nenhum caráter”: Leonardinho (Memórias de um Sargento de Milícias de Manuel Antônio de Almeida) e Macunaíma de Mário de Andrade. Ou pela heroína que se entrega aos interesses europeus, Iracema de José de Alencar. Até ídolos do futebol (Pelé), ou na música o “rei” Roberto Carlos. A partir daí observa-se que o brasileiro na verdade não tem nenhum herói de apoio, nada que o faça ter esperanças por um Brasil melhor.
Já o Capitão Nascimento nos satisfaz não por nos dar esperanças, mas por nos saciar o anseio por vingança, a justiça que o povo brasileiro quer. O filósofo Friedrich Nietzsche reflete em uma de suas obras (Crepúsculo dos Ídolos) sobre esse tipo de justiça. Segundo seu pensamento seríamos frutos de uma educação falida que desmotiva a singularidade dos indivíduos (alguma semelhança com a do Brasil?!). Em suma, somos fracos que precisam de apoio, no caso de culpados pelo nosso sofrimento. A fraqueza estaria justamente, por Nietzsche, no desejo por vingança.
A escolha do brasileiro pelo protagonista de Tropa de Elite como herói nacional mostrou a fragilidade da sociedade. Somos tão fracos e impotentes que não se protesta, não se reivindica pelo cumprimento dos deveres básicos do Estado (Saúde e Educação). Optamos por vibrar a cada morte de um bandido, esquecendo que ele também foi uma vítima. De que lado estamos? De que lado da grade deveríamos estar se somos regidos por esse pensamento? Isso mostra a deficiência e a debilidade na formação do cidadão brasileiro. Algo tem de mudar, e não são mais grades que resolverão o problema.
Escrito por Giulia às 23h45
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Ão ão ão quero a Revolução!
“Eu odeio Mcdonald’s!”, “Consumistas fdp’s”, “EUA, os terroristas culpados de todas as desgraças do mundo!” , “O Sistema é culpado!”, “Capitalismo, o vilão”...
E claro, não poderia faltar “ão ão ão quero a Revolução!”.
É a idéia majoritária que reina a cabeça dos jovens brasileiros. Sabemos gritar bem alto “absurdo!” e separar como água do óleo os bonzinhos dos vilões. Como se dentro do bom não pudesse existir algum defeito, e como se no vilão não fosse possível qualquer qualidade. Novela das oito? Não não, é o dia-a-dia do estudante brasileiro mesmo.
Particularmente não entendia de onde vinha esse comportamento. Há tempos que observo e denuncio essa hipocrisia incrustada na cabeça de nós, jovens. Não que esteja em posição de espectador, faço parte do meio, da massa, da cabeça inundada de pensamentos que não se sabe se surgiram de nós ou nos colocaram. Só que há alguns anos reparei no jeito que nos portamos, logicamente que a minha percepção na época não era como a de hoje, e nosso comportamento também não. Tudo cresceu. Não no sentido de madurar, mas no sentido de tamanho mesmo. Se éramos contraditórios antes, agora estamos bem mais.
Grande parte disso percebi que era influência de professores. Assim como a tevê vomita informação, vários professores vomitam ideologias mal trabalhadas na nossa frente. Nós, que absorvemos, muitas vezes não somos capazes de fazer triagem do que entra e do que deve ficar. Como papagaios então repetimos os pensamentos, que nem são nossos. Os nossos ficam escondidinhos achando-se inferiores aos dos professores ou outros formadores.
Não somos vítimas por isso. Somos prejudicados e lesados, somos. Mas nada que nos impeça de seguirmos nosso próprio caminho com nossos pensamentos. Acontece que na comodidade da repetição de idéias optamos por atrofiar as nossas. É muito mais fácil usar aquelas que nos colocam, assim, pensar nem precisamos.
Nesse ano eclodiram algumas matérias em jornais e revistas sobre doutrinação ideológica em materiais escolares. Esquerdização pedagógica. Ainda não havia observado os livros, o que admito ser incoerência de minha parte já que concluí que os professores nos influenciam, logo os livros que são feitos por eles também.
Na revista Época de 22 de outubro a reportagem capa tratava sobre este assunto. São muitos livros de ideologia direcionada. Alguns profissionais da área alegam ser impossível a total imparcialidade dos livros em especial de História de Geografia. Outros alegam ser importante essa visão chegar ao aluno, para este ter opinião crítica. Pena que o aluno não tem acesso ao outro lado da visão, mas isso é um mero detalhe não é mesmo? Afinal a internet, os pais, e a tevê estão aí para isso, para suprir a deficiência do material didático brasileiro. Dessa forma o aluno, como interessadíssimo (íssimo!) em ver o outro lado da moeda pode escolher o que pensar (não são raros os professores que pensam dessa maneira).
Como foi colocado na revista, nenhum meio de comunicação tem tanta influência sobre os alunos quanto o material didático, mesmo porque por vezes são os únicos livros aos quais têm acesso.
As revoluções chinesa e cubana, nesses livros, são reportadas de forma que o lado ditatorial e sangrento é omitido. O capitalismo e a globalização são apontados somente e unicamente como causas da miséria mundial, assim como os EUA são retratados como vilões sendo o grande símbolo dos dois primeiros (capitalismo e globalização). A salvação? O socialismo, o marxismo, o comunismo. Que também são colocados de forma superficial e unilateral. Obviamente que os alunos do ensino fundamental e médio, até mesmo por uma questão de tempo, não podem se aprofundar muito, para isso existe a faculdade. Mas nem por isso o conteúdo deve ser manipulado para um ponto de vista, uma coisa não tem nada a ver com a outra.
Para alguns educadores e economistas isso se deve à ditadura militar, que estimulou o desenvolvimento do lado revolucionário do brasileiro para o retorno da democracia. Entretanto, a ditadura acabou há muito tempo e também não é justificativa para maniqueizar o conteúdo didático.
Por que então vivemos numa sociedade tão permissiva e passiva? Se seguíssemos os livros e os professores não estaríamos batendo panelas contra a imoralidade da política brasileira? Talvez isso não aconteça justamente porque aprendemos que a culpa é do sistema. Sistema (é tão abrangente não?). Na verdade culpamos tudo com tanta superficialidade que nem sabemos contra quem e o que protestar. É onde está o perigo dessa manipulação de idéias, vistas sob um só ângulo contribuem para a confusão na mente em formação do estudante. Como foi apontado por Bráulio Porto de Matos da faculdade de educação da UnB: “quem analisa o mundo segundo uma ótica de conflito de classes tende a acreditar menos na iniciativa individual”. Talvez esteja aí uma das respostas da primeira pergunta do parágrafo.
E, repetindo, nós não somos vítimas. Podemos e devemos nos informar e nos formar como realmente queremos. É não se acomodar. Caso contrário, como a maioria, continuaremos bradando “Brasil um país de merda”, desejando e comprando o último modelo de celular e repetindo, para dar um ar aventureiro nas nossas vidas, “ão ão ão quero a revolução”. Ah, não disse qual é a revolução? É só pra rimar com “ão” - O verdadeiro sentido do revolucionário atual brasileiro.

Escrito por Giulia às 17h16
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Pelo ralo
Voto secreto do senado... Democracia? Recentemente acompanhamos a votação em relação ao primeiro processo de Renan Calheiros (de pagar pensão à Mônica Veloso com dinheiro público), se ele seria ou não cassado por isso.
E qualquer esperança por um Brasil menos indecente desceu pelo ralo.
Além de não ser cassado, esboçar um sorriso de “já sabia”, e declarar “vitória da democracia”, Calheiros enfrentará mais três processos para serem vetados, ops! votados.
Houve, antes da votação, um protesto de Cristóvão Buarque no plenário pela extinção do voto secreto, mas o caso de quebra de decoro foi votado secretamente.
Pela lei, os brasileiros só saberão quem votou contra ou a favor daqui a 20 anos. A vida passa, as pessoas morrem e a memória apaga. É completamente vergonhoso um país declaradamente democrático sustentar algo desse baixo nível. Democracia secreta. Ignocracia. Está certo. Não é ignorância, mas sim uma ignocracia: o sistema político brasileiro, que faz questão que o cidadão seja totalmente posto de lado, a deriva de políticos oportunistas que se intitulam representantes do povo. De fato são representantes do povo pela ignocracia, em todos os sentidos. Tanto o brasileiro escolhe às cegas quanto o escolhido “trabalha” às cegas (da população).
O resultado da ignocracia foram 40(contra a cassação)x35(a favor). Segundo a Folha de São Paulo, após a votação 43 declararam-se a favor da cassação. Ou seja, 8 a mais que os 35. Se o voto fosse aberto haveria uma grande probabilidade de um resultado contrário (será?).
Nessa quinta os senadores acabaram com a sessão secreta em caso de cassação. Aleluia? Um passo a mais para a democracia?... Calheiros deve estar pulando miudinho porque ainda faltam mais três processos que agora serão de sessão aberta. Mas a canalhice brasileirinha não se intimidaria com tão pouco. Os miudinhos logo se transformarão em samba. A canalhice no Brasil é tão forte que independe de voto aberto ou fechado. Afinal, ninguém aqui tem vergonha de viver assim já que todos assim são.
Vergonha de um voto aberto? Nem parece brasileiro. Já foi o tempo de se esconder as imoralidades. A única diferença é que veremos mais declaradamente a sujeira. Realmente distanciando-se da ignocracia. Mas a canalhocracia, ou, jeitinhocracia, são temperos típicos da miscelânea da cozinha brasileira. Sem isso o Brasil não seria o Brasil.
Escrito por Giulia às 21h36
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Uma realidade implacável
Vive-se porque se vive, ou vive-se porque morre-se. Não se sabe bem ao certo por que lei somos regidos. Se é a lei do presente ou a lei da finitude, ou mais provavelmente pelas duas. Entretanto, uma resulta na outra, ou em muitas outras. Saber que existe a não existência sempre fez com que o homem criasse meios para suspendê-la, explicá-la e até criar filosofias para viver. A condição de mortalidade aterroriza a idéia, uma vez que esta pode tudo a qualquer hora. O pensamento, a imaginação, a metafísica, o universo particular de cada ser humano, como pode tudo isso ter fim?
Devido ao questionamento sem uma resposta exata somos movidos pela procura. O fato de não saber, não ter controle e estar fora de nossas mãos, a hora da morte é como uma roleta russa: pode ser o primeiro ou o último tiro, inevitável.
Uns, estimulados pela procura, escarafuncham o pensamento humano, estudando outros pensadores ou elaborando a própria filosofia. Outros se apóiam num dogma religioso e acreditam ser assim e ponto (às vezes porque temem o que possa vir depois dele). O premiado "As Intermitências da Morte" (Nobel de 1998) de Saramago discute, em ficção, qual seria a função da filosofia e religião num país em que ninguém mais morre: elas perdem o sentido de existir. Muitos mestres da literatura se posicionaram de forma mística e transcendente diante da morte, como fez João Guimarães Rosa, ou até mesmo encarando-a como parte de um ciclo vital e natural que não muda em nada o seguir das coisas, como pensa Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. Ou, se não me engano, como Woody Allen diz, "não temo a morte uma vez que enquanto vivo ela não existe, e quando ela existe, vivo já não estou" .
Ser esquecido, no entanto, é uma das conseqüências da morte que mais aborrecem o homem. Por meio de tecnologias e avanços científicos tenta-se evitar ao máximo a morte, mesmo que para isso tenhamos que parecer múmias vivas. Ou tenta-se cravar o próprio nome em algo, porque nós vamos e as coisas permanecem, melhor ainda se fosse o remédio para todos os males de Brás Cubas, mas ele não existe. E o mundo gira e só permanecem aqueles que saíram da vida para entrar na história.
A relação do homem com a intangibilidade da morte é como não conseguir usar o controle remoto, não conseguir mudar o canal. Agarrados a crenças e pensamentos que nos convém, levamos a idéia conosco, mesmo que empacotada e pronta. O fato é que é muito difícil aceitar que viraremos, um dia, a terra, o chão. E assistimos, mesmo contra vontade, ao programa de televisão.

Escrito por Giulia às 19h33
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Hora de espremer laranjas ou de fazer laranjada?
Calheiros daqui, calheiros de lá... Todos os dias. Já é o terceiro processo em cima de presidente do senado, o alagoano Renan Calheiros, que virou celebridade e reluta em sair do palco.
Não fosse a bendita pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento, continuaríamos a ver os gados invisíveis.
O processo de agora é sobre o pomar alagoano de açougues e frigoríficos com estranhas coincidências. Todos os compradores de gados de Renan situam-se na periferia, em endereços de difícil acesso, ou até inexistente. Quatro açougues são declarados como laranjas pelo relatório da Secretaria de Fazenda de Alagoas enviado ao Conselho de Ética, do frigorífico Mafrial (também na periferia) ao qual Renan diz vender seus gados.
Ao frigorífico nenhum fornecedor de gado de corte declarou ter efetuado vendas. Apesar de Mafrial afirmar ter vendido carnes, não há nenhuma nota ou comprovante que algum contribuinte tenha comprado. Tanto na compra, tanto na venda, o volume de dinheiro é em milhões.
Quanto aos quatro açougues, apresentam os mesmos clientes e possuem irregularidades quando a entrada e saída de mercadorias, e nenhum documento em referência a fornecedores.
Uma outra grande coincidência é que as empresas operam com o mesmo contador, que não por mero acaso fez a escritura do frigorífico Mafrial. E mais: um sócio de um dos açougues também é funcionário do Mafrial. Sem mencionar que ninguém do local ouviu falar da maioria dessas empresas.
Renan alega que não é problema dele se os matadouros realizam operações irregulares.
Outra coisa curiosa de Renan é que propõe que seu caso vá direto ao plenário e não passe pelo Conselho de Ética, que como o próprio Renan disse, vai provavelmente cassa-lo. E também, ou, principalmente, pelo fato de que no Conselho os votos são abertos, enquanto que no plenário são secretos.E dança no nosso nariz, praticamente admitindo as besteiras que fez com outras besteiras que diz.
Renan não quer sair, como José Simão disse, ele está mais colado que super bonder. Já é o terceiro processo, não é difícil que surja outro. Devemos lembrar que Calheiros ameaçou contar os podres que sabe se as coisas continuarem como estão para ele. Não soltou nada por enquanto, ou a bomba que guarda é muito grande, ou já está recebendo por trás um zíper bem farto pra fechar a boca.
Enquanto espremem-se as laranjas, fazem a laranjada e a servem pra política brasileira, nós, as bananas, continuamos amarelas, embora já tenhamos começado a empretejar.

Escrito por Giulia às 19h47
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Cobaias Humanas
Todo mundo pelo ao menos uma vez já ouviu falar de sementes ou alimentos “transgênicos”, mas a grande maioria das pessoas, no Brasil onde as informações e o conhecimento são monopólio de uma pequena classe, não sabe de fato o que é isso, ou às vezes não sabem nem pronunciar uma palavra tão complicada; já até ouvi por aí dizerem “transgêneros” (como seria uma soja travesti?). Transgênicos são organismos que através da engenharia genética, recebem material genético de outros organismos, e isso feito para que esses organismos primários obtenham características específicas, que não aconteceriam normalmente na natureza. E isso não é uma novidade. Resultados na área de transgenia já são alcançados desde a década de 1970.
O primeiro transgênico foi a bactéria Escherichia coli, que sofreu adição de genes humanos para a produção de insulina, o que com certeza foi positivo, mas a grande polêmica está na inserção de alimentos geneticamente modificados no mercado. A ciência é assim, pesquisa-se e cria-se uma nova técnica, mas nunca se sabe se ela vai ter sucesso ou não, apenas as experiências com o tempo irão dizer, portanto é inútil ficar discutindo se somos a favor ou contra algo que ainda não se sabe no que pode resultar, e os danos ou benefícios que pode causar.
Mas a grande questão então é: se a não-nocividade dessas modificações genéticas não foi comprovada ainda, por que no nosso país, há muito tempo, sem nem saber, consumimos alimentos transgênicos? O Brasil é o terceiro maior produtor de transgênicos do mundo. A Europa e o Japão, por exemplo, rejeitam a entrada desses alimentos, e nos Estados Unidos, nos supermercados estão indicados os produtos feitos com espécies transgênicas, ou seja, você consome se quiser, há um direito de escolha, exatamente porque nada foi comprovado ainda. Mas os países pobres vão ser exatamente de onde virão os resultados dessa experiência, somos as cobaias.
Os transgênicos foram inicialmente desenvolvidos apoiados nos argumentos de que criariam sementes mais resistentes a pragas, diminuindo o uso de agrotóxicos, o que nem sempre acontece e pode acontecer exatamente o contrário, inclusive, o agrotóxico que consegue agir sobre as plantações transgênicas é vendido unicamente pela mesma multinacional que vende as sementes. Também se diz que o problema da fome poderia ser amenizado, pelo aumento da produção, mas todos sabem que o problema da fome no mundo não é a produtividade (que é suficiente), mas a distribuição injusta devido às desigualdades econômicas.
Os argumentos contrários são principalmente relacionados com os danos que o consumo dos alimentos transgênicos poderia causar à saúde humana, como alergias e câncer; transferência dos genes resistentes a antibióticos para bactérias, além dos danos ambientais, como o empobrecimento da biodiversidade (eliminam abelhas, minhocas, outros animais e espécies de plantas) e a destruição da agricultura familiar pelos latifúndios que se utilizam dessas sementes modificadas.
Tudo em relação a esse assunto é imaturo, muitas pesquisas ainda têm que ser feitas para se chegar a conclusões definitivas. A única grande verdade presente é que as grandes transnacionais produtoras das sementes, que pertencem às grandes potências mundiais, como sempre pressionam os governos para a liberação do plantio comercial de seus produtos. E o Brasil como sempre cede. Desde que nascemos comemos lixo industrial, a alimentação humana é terrível, tanto que uma parte do mundo passa fome, outra parte é obesa e uma outra (emergente) é anoréxica. Agrotóxicos, conservantes, gordura hidrogenada, acidulantes, corantes...modificações genéticas. Sacrificamos nosso corpo pela indústria alimentícia e agrícola e nossa mente pelo sistema. Meros “ratos de laboratório” a serviço dos mais ricos e, portanto, mais fortes. Lei da selva, lei dos homens.
*Fonte de pesquisa: Wikipedia

Escrito por Bozzo às 19h28
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Pan por debaixo do pano
Vamos pular, vamos festejar, aplaudir e comemorar. O Brasil se superou! Nunca foi visto tanta medalha, tanta vaia, e tanto investimento no esporte brasileiro. Quadras lindas, piscinas novas. Tudo brilhando. Limpo.
Mas, como sempre, há um imenso de um tapete, um pano, muito grande, pra caber toda a imbecilidade, ignorância e imundice brasileiras.
Primeiramente, por que e para quê realizar um evento dessa magnitude num país desestruturado em praticamente todos os sentidos, especialmente os fundamentais? Até agora tem sido um desafio achar uma resposta coerente e sensata - porque na verdade não há. Devemos dizer que realizar o Pan em si foi um desafio para o Brasil? E que essa é a graça, um desafio!? Ora, devemos sim nos lançar em desafios: educar os brasileiros, criar um sistema de saúde eficaz, diminuir a violência e corrupção... Não parecem desafios já bem difíceis? Mas o Brasil quer mais, ou melhor, menos, bem menos, muito menos.
Ao invés de nos orgulharmos por termos, por exemplo, um ótimo sistema educacional, nos orgulhamos por títulos esportivos e medalhas de ouro. O pior de tudo é que o esporte no Brasil, e em vários outros países, não é um aliado da educação, e sim um meio de ascensão social devido à falta de recursos para se criar outras oportunidades. Tanto é que muitos jogadores de futebol provém das favelas e não possuem níveis educacionais sequer regulares. Não é que não mereçam nosso orgulho, merecem sim, lutaram muito para chegar aonde chegaram, mas talvez se tivessem tido acesso a um sistema educacional (porque o que existe no Brasil não dá nem para chamar de sistema) os destinos poderiam ser muito diferentes, ou mesmo o nível cultural do esportista brasileiro, não seria só um esportista, mas um cidadão ligado ao que ocorre no Brasil e no mundo.
E quanto ao supermegaultra faturamento dos jogos? Era previsto gastar 375 milhões, e foram gastos na realidade 3,7 BIlhões. Tudo bem errar por um, dois, três, dez ou até cem milhões, que seja. Mas por 3325000000 (três bilhões e trezentos e vinte e cinco milhões)? Os números são tão grandes que nem cabem numa calculadora. E pra falar a verdade, é difícil até fazer caber em nossa cabeça. Para onde será que todo esse NOSSO dinheiro foi parar... Na piscina nova? Se fosse de diamante com algumas esmeraldas cravadas até poderia ser. Na nova quadra? Se fosse de rubi até poderia ser. Mas uma certeza podemos ter, ele não foi para nossa educação e saúde.
De fato esporte e saúde andam juntos, mas e quanto a saúde mental e emocional? Não têm importância afinal, não são elas que aparecem quando se coloca um biquíni.
Sobre os países que vieram pelo menos um merece destaque: Cuba. Pelo seu desempenho esportivo sempre bom? Também. Saudáveis? Sim, fisicamente muito bem. As fugas, os desertados... Ora, queriam verificar a habilidade física por quem fugia mais rápido... Símbolo de resistência, bravura, revolução, ideais, Che Guevara... Cuba se tornou recinto de depressão e repressão mental. Há quem se orgulhe, inclusive cubanos, mas são aqueles que não tem o anseio de lutar por ideais novos e por isso não vêem na ditadura cubana essa face repressora, simplesmente por não ter o que expressar que possa de alguma maneira se repreendido pelo governo. Excelentes atletas? De fato, excelentes, que, desde pequeninos, quando nem sabiam ao certo quem eram e onde viviam, foram condicionados e treinados para serem os atletas que são. Quase nascidos para essa função. E não nascidos para escolher o que posteriormente gostariam de ser. O esporte, nesse caso, é sim aliado a educação, mas como um meio extra de desvincular o pensamento de lugares que não deveriam estar.
Ufa, quanta coisa ruim, pelo menos há um lado bom nisso tudo: as instalações esportivas reformadas e criadas podem muito bem ser aproveitadas por projetos sócio-educacionais e de inclusão social, não é mesmo?... O governador do RJ, Sérgio Cabral, apresentou projetos ao prefeito do Rio, César Maia, de demolir a instalação que houve as partidas de pólo-aquático para então ser criado um shopping-center ou estacionamento para o Maracanã. A piscina de pólo seria apenas uma das várias áreas demolidas para ser criado centros comerciais ou casa de shows. Como o prefeito disse dia 30, “a natação não é rentável”.
Uns disseram que o Pan foi bom para a auto-estima do brasileiro. E foi mesmo. Afinal, medalhas de ouro valem muito mais que dignidade, honestidade e coerência. Pelo menos naquelas, é possível o Brasil ganhar.

Escrito por Giulia às 21h06
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O Pan acabou, mas o pandemônio continua!
Hoje foram encerrados os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, confesso que acho que durou pouco e vou sentir falta de acompanhar as competições. Que o Pan sirva de inspiração para as autoridades perceberem que o esporte aliado à educação é a mais eficaz arma contra a violência, a exclusão social, a falta de perspectiva das crianças, e a falta saúde dos adultos. Praticando esportes o ser humano aprende a conviver, a vencer, a perder, a respeitar, a lutar pelos seus objetivos e a dar o melhor de si.
Tomara que as instalações dos jogos, que realmente foram muito bem feitas, sejam a partir de agora utilizadas pela população, e para a formação de novos atletas, pois o brasileiro tem um enorme talento e gosto pelos esportes, o que falta são só oportunidades e investimento. Acredito que todo o dinheiro gasto com o Pan foi por uma boa causa, mas com certeza houve os exageros e os desvios de praxe.
Foi tudo muito bonito, muito bem feito, mas ficou evidente que temos muito a aprender e a melhorar se quisermos sediar eventos mundiais. Abusos de voluntários (que muitas vezes não ajudavam em nada, pelo contrário), problemas com a venda dos ingressos (a velha história dos famosos cambistas), falhas na segurança, tudo isso foi comentado, mas o que me deixou realmente decepcionada foi o comportamento das pessoas, dos torcedores, e também da parte da imprensa que fazia as maiores coberturas dos jogos e fez questão de encobrir todos os defeitos ou problemas do evento.
Os brasileiros, representados nesse caso pelos cariocas, mostraram sua ignorância e falta de educação frente aos atletas estrangeiros. A verdade é que reproduzimos ao torcer para qualquer modalidade esportiva, o comportamento que temos em um estádio de futebol, pois só sabemos (quando sabemos) torcer para times de futebol. As vaias foram uma constante, desde a cerimônia de abertura, até a de encerramento. Mas por que vaiar um competidor? Não há explicação para isso. Só porque ele não é brasileiro? Por acaso somos melhores que os outros povos? Porque queremos ajudar os brasileiros a vencer? Mas desde quando precisamos desrespeitar os outros para vencermos?
O espírito olímpico foi substituído pelo espírito brasileiro: ganhar a qualquer custo, atropelando quem esteja na frente. Não há nada mais mau caráter do que torcer pelo fracasso alheio.
Outra coisa que não entendo são essas tais ‘rivalidades’ incentivadas pela mídia esportiva. Primeiro a velha conhecida com a Argentina, e agora uma nova surgindo com Cuba. A rivalidade com a Argentina não passa de uma bobagem do futebol, mas se transformou quase que em um ódio entre países que deviam ser irmãos. Agora com Cuba acontece algo parecido, vai se criando uma coisa imaginária que se torna real, e vai dos esportes para a política, e não traz nada de bom.
O Brasil no esporte vê todos os outros países latinos como rivais, e na política e economia como inferiores, postura exemplar. A toda hora ouvimos que argentinos, uruguaios, paraguaios, cubanos, chilenos são todos briguentos, ‘catimbeiros’ e desleais. E os brasileiros são ingênuos, verdadeiros santos, vítimas, coitadinhos de nós. E as duas grandes baixarias que aconteceram no Pan (no judô e no handball) e envolveram o Brasil foram exclusivamente culpa dos 'hermanos' inimigos.
Mas quem ri de tudo isso são os Estados Unidos é claro, a gente que continue brigando bastante entre nós enquanto eles, que nem dão importância aos Jogos Pan-Americanos, ficam numa boa no topo do quadro de medalhas. Não passamos Cuba é claro, afinal chega a ser humilhante a diferença entre Cuba e Brasil em relação a esporte, saúde, educação, principalmente se compararmos os tamanhos e as economias dos dois países. Mas o Brasil fez um papel exemplar, obteve um ótimo resultado, o melhor da história.
Parabéns às delegações, parabéns aos atletas brasileiros, que mesmo muitas vezes sem o menos apoio, mostraram vontade, força, competência e amor ao país. Valeram os bons e maus exemplos, os bons para serem seguidos e os maus para serem corrigidos.
Agora o Rio volta à sua rotina normal de tiroteios, morros, mortes...e o caos aéreo continua à toda é claro. Há coisas que só acontecem aqui. Em qualquer lugar do mundo a probabilidade de morrer atropelado andando na calçada é maior do que em um acidente aéreo, afinal o avião é o transporte mais seguro que existe, menos no Brasil. Em qualquer lugar por muito menos que tudo isso o presidente já teria sido derrubado, ou pelo menos jamais reeleito, menos no Brasil. Em qualquer lugar que você vai competir, se apresentar como atleta você é aplaudido, menos no Brasil. E em qualquer lugar do mundo o Presidente abre e encerra os jogos Pan-Americanos, e discursa nas cerimônias também, menos é claro, no nosso amado Brasil.
Um dia descobriremos nossa identidade, um dia acordaremos para a realidade, mas enquanto isso, como disse a atriz Bibi Ferreira essa semana: “O Brasil deveria fechar para balanço”.

Escrito por Bozzo às 19h16
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Uma paisagem que ninguém gosta de olhar
O inchaço urbano/demográfico de São Paulo especialmente, tem tomado proporções alarmantes. A população favelada cresceu 38% em quatro anos, e o resultado é que entre 6 paulistanos, 1 é favelado, conforme o estudo divulgado ontem, dia 15, no Estadão.
E o nosso pensamento de acomodados de classe média não passa de “eles que se espremam” (o que de fato eles estão mesmo), ou, “quem manda ter tanto filho assim”. Infelizmente eles continuam tendo muitos filhos e se espremendo nos morros, entretanto nós preferimos aderir ao pensamento mesquinho e unilateral por ser muito mais fácil que analisar as causas desse inchaço. Falta de divulgação de métodos contraceptivos, que, saem inteiramente grátis pela rede pública de saúde, ou ineficiência na distribuição desses, ou a falta de um sistema educacional para que as pessoas todas sejam alfabetizadas e informatizadas, ou a escassez de oportunidades... Tudo, uma mistura de causas e conseqüências é responsável por essa estatística, principalmente os últimos fatores.
No Rio de Janeiro a situação das favelas e a polícia já é praticamente uma guerra civil, que só a polícia em um trabalho no Complexo do Alemão matou 19 pessoas, das quais 8 são suspeitas de terem envolvimento com o tráfico. Sem contar aquelas que o próprio ciclo do narcotráfico apaga regularmente.
A favela não é simplesmente um amontoado de barracos de vagabundos que não gostam de trabalhar. Muitos trabalham exaustivamente, mas também é verdade que muitos trabalham para o tráfico, incluindo crianças. Na favela tiroteio é normal, assassinato é rotina, e quem mora lá, tem que aprender a não ter medo da morte, já que ela e a favela andam de mãos dadas.
As ruas sujas, becos escuros, casas grudadas. Uma realidade indesejável, embora haja quem encontre na favela, principalmente no Rio, forças, por sentir na pele o que é lutar para viver, esses cultivam uma espécie de orgulho pela favela.
O fato é que com orgulho ou sem orgulho, a favela é resultado físico escrachado de políticas enganosas, adiadoras e acomodadas. A mídia faz o favor de nos sensibilizar com os projetos sociais e então pensamos que as favelas estão a salvo com iniciativas singulares aqui e acolá. E muitas não passam de jogos de boa vizinhança para os realizadores saírem bem na fita, empurrando bonequinhas e carrinhos, forçando um sorriso de virgem maria.
Que a pobreza não é bonita todos sabem, principalmente o governo do Rio de Janeiro, que devido ao Pan, faz um programa de limpeza na cidade do Rio retirando os moradores de rua e enfiando-os em instituições, mas isso é só por um determinado período(depois que todo mundo for embora ninguém faz mais questão de jogar a sujeira para debaixo do tapete).
E a favela persiste firme e frágil, crescendo juntamente aos problemas sociais e políticos que a acompanham. Nós pouco nos lixamos, por enquanto o tapete ainda serve, mas já está ficando pequeno demais...
[Sobre o Pan, esse merece outro texto do biscoito, afinal, não é todo dia que se prevê gastos em milhões, e são na verdade em bilhões, ou é?!]

Escrito por Giulia às 14h43
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Cara preta
Boi boi boi
Boi da grana preta
Leva esse menino
Que adora pular cerca
Boi boi boi
Boi da confusão
Leva esse menino
Que odeia confissão
Boi boi boi
Boi da moral preta
Leva esse muleque
Indecente que faz careta
Boi boi boi
O “boi de piranha”(Roriz se autoavaliando como aquele que se sacrifica pelos outros)
Leva esse daí
Que saiu e ainda faz manha
Boi boi boi
Boi da fumaça preta
Vai esquecer os meninos
Que amanhã vão estar atrás da mesa.
(a última frase não se encaixou metricamente, mas é um fato,
uma certeza que a gente infelizmente pode ter, amanhã eles estarão
atrás da mesa, de novo. E nós, na fumaça da comodidade imoral,
do jeitinho brasileiro, com tanto rebolado e curva, fica fácil de esquecer)

Escrito por Giulia às 10h21
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Jogos de Aparência
Nada é mais presente na sociedade burguesa do que o chamado jogo de aparência, o que importa sem sombra de dúvida é o que você aparenta ser, não o que você faz, ou é na sua essência. Por isso é muito comum falar de algo e fazer outro ou tentar a todo o momento ocultar ou amenizar aquilo que é feio, sujo, ou contraditório. Quem mostrou muito bem essas relações, que hoje imperam mais do que nunca, foram os escritores realistas, no século XIX, mas a maioria das pessoas continua fingindo que não percebem que o que elas vêem são apenas tentativas de disfarces.
A sociedade muitas vezes parece adotar uma postura maniqueísta, talvez seja influência das novelas da Globo, não sei, mas o mundo está dividido em bem e mal, bom e ruim, e há é claro quem dita em que lado está cada pessoa, país, postura ou idéia, e tudo é analisado superficialmente e classificado através de rótulos e estereótipos pela mídia, afinal o que importa é o anunciante, os comerciais, portanto quanto menos tempo se gasta com o resto melhor. Se no passado a Igreja Católica foi a grande controladora ideológica da sociedade, sem dúvida nenhuma quem desempenha esse papel hoje é a mídia.
Assim como quem ousasse questionar a Igreja era acusado de herege, quem contesta a mídia é acusado de ser contra a liberdade de expressão, portanto ela também é intocável. Liberdade de expressão...é tão bonito falar em liberdade, aliás é o discurso preferido da burguesia desde a Revolução Francesa, liberdade, igualdade e fraternidade, é comovente. A questão da igualdade e da fraternidade creio que até dispensa comentários, mas as vezes nos flagramos crendo que existe de fato liberdade nesse mundo. A mídia prega a liberdade incondicional, mas tudo o que ela faz é pra atender a interesses, eles dizem que os jornais são imparciais, mas qualquer um sabe que não são, mas aparência ter que ser mantida.
O capitalismo nos convenceu totalmente de que o que há de mais importante é a mercadoria, nossas vidas giram em torno da mercadoria, estudamos para poder trabalhar, para poder consumir. Essa é a idéia de felicidade, ter uma casa, um carro, um celular, fazer uma lipoaspiração (afinal, não se pode esquecer nunca da aparência), um apartamento na praia, uma mochila da Hello Kitty,...e é infinito, por isso é tão lucrativo, qualquer coisa sem valor agregada a uma idéia, a uma abstração (como a Hello Kitty), se torna uma ótima mercadoria. E aí está o grande papel da mídia, não é informar, ou entreter, é nos convencer de que precisamos de todas essas coisas, que precisamos desempenhar nossa função no mundo que é comprar, afinal somos meros consumidores.
Qual a diferença entre democracia e ditadura hoje? Quem é ditador? Quem é do mal e quem é do bem? Quem é considerado do mal é quem não se abre à globalização e ao liberalismo econômico (é o discurso de liberdade de novo). O mundo tem que ser livre, não para que as pessoas tenham uma vida livre e digna, mas para que os países ricos possam vender seus produtos industrializados de alta tecnologia para os países pobres, que vendem para eles produtos agrícolas e privatizam suas empresas estatais para as multinacionais.
Fala-se em liberdade. Mas o que acontece é a subordinação de uns à outros, é unilateral. O que acontece é o protecionismo dos países ricos, a Guerra do Iraque, o embargo a Cuba, o controle dos meios de comunicação, que rotulam de herói ou monstro quem mais lhe convêm.
*Desculpem-me a ausência. Sei que preciso postar mais e sinto muita vontade disso, mas o tempo anda escasso mesmo. Mas agora vou ter três merecidas e aguardadas semanas de férias e pretendo aproveitá-las também escrevendo aqui.

Escrito por Bozzo às 18h10
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Procura-se namorado
Eu quero um namorado só hoje!!
Eu quero alguém pra me comprar um sorvete, um perfume e um sabonete.
Alguém pra ir no cinema, e fingir admirarmos alguma cena
Alguém pra poder chamar de meu, e ergue-lo como prêmio e condecoração.
Coração? Muitos, no pingente da corrente do presente e no desenho do cartão do dia dos namorados.
Eu quero eu quero!
Procura-se namorado pro dia dos namorados, só hoje, oferta relâmpago!
É... mas o mercado já está saturado.
Eu quero eu quero!
Eu quero um braço pra segurar, e mostrar pra todo mundo que eu tenho um braço a mais.
Eu quero alguma coisa pra poder suspirar, só hoje.
Eu quero alguma coisa pra falar que eu sei amar, que eu sei como é, que eu sei dominar.
Eu quero pra poder ganhar.
Eu quero eu quero!
Eu quero pelo menos um coração pra poder comprar

Escrito por Giulia às 20h59
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Adeus Felicidade
A modernidade é cada vez mais uma birra insaciável. Adultos chorões com medo de ter medo, com medo de ser vivo: sentimento virou doença. Vamos eliminar os aborrecimentos e vamos fingir ser felizes. Tristeza? Frustração? Agora têm remédio. Mas, se a cura for felicidade, estamos muito longe.
Drogas são vendidas com a promessa de nos equilibrar e nos privar daquilo que não queremos sentir. Muitas são usadas em tratamentos psiquiátricos para depressão ou hiperatividade, por exemplo. No entanto, o que se vê surgir é muito mais grave: a classificação de sentimentos desagradáveis do dia-a-dia, como doenças. E até mesmo as características da própria individualidade são encaradas assim.
Umas das causas que impulsionaram esse comportamento contemporâneo é a obsessão por tempo. Perde-se tempo na tristeza, frustração e infelicidade, e o homem moderno precisa trabalhar. Outra causa é a ostentação das aparências, afinal, ser feliz é mais bonito, mais agradável. Nem que seja de mentirinha: a sociedade não se importa em brincar.
Somos crianças que querem demais o pirulito. Não suportaríamos um “não”. E com os fabulosos fármacos esquecer-se-á o que essa palavra representa. Limites, tragédias... Tudo vivido por um piloto automático. O desespero de viver sem saber o que é felicidade só faz nos afastarmos dela. Procuramos ser felizes, fortes e inabaláveis. Porém, o homem é naturalmente sensível. E não é na padronização que encontraremos o que procuramos.
Quando realmente precisarmos de nós, o que faremos? Não é fácil se desligar do piloto automático. Isso implica em acordarmos de um sono profundo... E quando acontecer, provavelmente não saberemos diferenciar o que somos nós do que já não somos. Perdidos. A essência transformada em química sintética. Nenhum comprimido do mundo cobrirá esse vazio, que já sentimos.

Escrito por Giulia às 00h23
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Debaixo da lã
Vemos aquele que atira, que
rouba, que agride, que trafica... Culpados! Devem ser banidos, jogados numa
cápsula e mandados pro lugar nenhum. Vamos criar um lugar para os lobos não
mais prejudicarem os cordeiros. E assim felizes seremos.
Será?
Ironicamente, ao querermos que o lobo suma, desapareça, mais diretamente
– morra- estamos também sendo lobos com os próprios lobos. Cordeiros... Só um
casaco de lã branquinho resultado de muito produto químico na lavanderia. E
debaixo da lã existe a criatura que tanto condenamos.
Talvez os condenemos por vingança e inveja, afinal, são lobos sem
disfarce. E nós, “cordeiros”, damos duro para passarmos despercebidos, ou, para
posarmos de bonzinhos e coitados, quando que debaixo da lã, uiva uma feia
criatura, querendo acabar com tudo e todos.
O lobo vende e os cordeiros compram. O lobo faz o serviço sujo que o
cordeiro mandou fazer. Lobos maus e pobres cordeiros. Uns tão feios e outros tão
bonitinhos, branquinhos branquinhos.
Mas, quando o cordeiro está na corda bamba, quando está por um triz de
ter o seu disfarce descoberto, ah... Aí não tem lobo que se salve: feios,
delinqüentes, irrecuperáveis – “têm que morrer”.
O maior problema não está em ser o lobo propriamente dito. Tudo bem em
ser mau, desde que pelo menos se coloque um casaco de lã – branquinho, macio, dá
até vontade de abraçar. Como são lindos os cordeiros.

Escrito por Giulia às 19h50
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O Papa é pop (?)
E ele chegou, está entre nós! Cheio
de discursos, e poder decadente: Bento XVI. A sensação é horrível, é ver seu país receber alguém assim tão
cegamente, agora literalmente como se fosse Deus. Bush foi coberto de protestos.
Mas e o Papa? Por que ninguém se manifesta, será medo? Creio que sim. Afinal
tanto tempo de Inquisição, com certeza deixou marcas de terror em todos nós, até
inconscientemente temos medo de dirigir qualquer palavra de desaprovação à
Igreja, morrendo de medo de ofender o poder divino, é como ouvi hoje mesmo: “não
fala isso que é pecado”. Uma das maiores frustrações da Igreja hoje é não haver
mais a Inquisição, aliás, se houvesse, provavelmente o biscoito já teria virado
churrasco, mas não existe mais, hoje as formas de opressão são outras, portanto
vamos aproveitar, é quase a liberdade, então por que não falar de Igreja de
forma crítica?
Não se pode negar a História, nem
esquecer, ou passar por cima como se fosse nada. Quantas pessoas a Igreja
Católica já assassinou em toda a sua história? Quanta riqueza material já
acumulou? São números incalculáveis. Por exemplo: um dos princípios básicos da
doutrina católica é a subjugação da mulher, que é considerada o pecado, a
tentação, o próprio demônio, que tirou o homem do paraíso (lembram da historinha
de Adão e Eva?), pois é, isso já justifica a morte de milhares de mulheres na
fogueira, e o enorme machismo existente em países católicos como o Brasil.
E o que dizer das Cruzadas? “Tirar
Jerusalém das mãos dos infiéis”, e cadê o amor ao próximo? Provavelmente vem
depois do dinheiro, das terras, do poder, e de mais todas essas mortes. E que
tal o Nazismo? Todos sabem que foi apoiado pelo Papa, aliás, em outros tempo a
Igreja é que tinha essa função de perseguir os judeus. A Bíblia, que é usada
para justificar tudo, dizem que possui a palavra de Deus, mas foi escrita por
homens, muito poderosos por sinal, com muitos interesses, e com suas próprias
interpretações pessoais. O nome de Cristo é usado para propagar idéias de
outros, Jesus foi um revolucionário em sua época, era contra a dominação,
defendia o amor, o pacifismo e a liberdade, e por isso foi morto, pelos mesmos
homens que continuaram matando e matam até hoje quem esteja em seus caminhos.
Assim é que acontece a dominação, usando-se o nome de Deus, um Deus que castiga,
que condena, que machuca, e que foi feito à imagem e semelhança da ambição
humana.
Poderia ficar parágrafos falando de
episódios podres da Igreja, mas e hoje, quem é essa instituição? Diz que mudou,
mas ela diz tantas coisas que não faz, e faz tantas coisas que não diz. Com
certeza não tem mais o poder que já teve, e perde espaço a cada ano, mas não dá
para subestimá-la, ainda influencia muito, e falando em Brasil isso se
multiplica milhares de vezes, em nenhum outro país ela representa tanto, e por
isso está a toda hora na Globo tentando aumentar sua significância.
Hoje a Igreja elege talvez o Papa
mais conservador de sua história, que participou pessoalmente do exército
nazista na Alemanha, e se posiciona abertamente contra qualquer tipo de reforma,
ou segmentos católicos carismáticos (estilo Padre Marcelo Rossi), chegou ao
Brasil hoje e já condenou a eutanásia e o aborto em seu primeiro pronunciamento.
Já amaldiçoou o segundo casamento, o uso de métodos contraceptivos, e é claro:
os homossexuais.
Homossexualidade que aliás, é a
perseguidos da vez, a preferida, e a justificativa é simples: é uma ameaça
contra toda a ideologia repressora católica, e representa os mais fracos, além
de ser um ótimo bode expiatório para os escândalos de pedofilia do padres. E
também é muito fácil, afinal, hoje o racismo é inadmissível, e a própria Igreja,
há relativamente pouco tempo, como fim da escravidão, admitiu a existência de
alma nos negros (pois antes essa era a sua justificativa para apoiar os meios de
exploração e enriquecimento europeus baseados na escravidão dos africanos), e
também outras formas de preconceito não são mais bem vistas, mas agora, se você
fizer um discurso antigay em qualquer lugar o máximo que pode acontecer é você
ser aplaudido, por isso, o ataque é diário.
A Igreja
não está ao lado dos fiéis, os fiéis estão sob seu domínio e ela está ao lado
que quem mais lhe convém. Não sejamos ingênuos, ninguém é santo, todos somos
pessoas iguais, ninguém é superior, e nada é incontestável. Às vezes é difícil
ver que muitas pessoas ficaram na Idade Média. Não tenho nada contra quem tem
fé, muito pelo contrário, e também não estou aqui para discutir religião ou
teologia, tenho o maior respeito por todas as religiões, e jamais quero ofender
ninguém. Mas existe uma realidade de séculos de dominação à nossa frente, e nos
vemos concordando com ela. Quando vemos Hitler nos envergonhamos de nós mesmos,
quando vemos Bush protestamos, quando vemos injustiças nos revoltamos, quando
vemos ignorância nos entristecemos, só queria saber por que quando sabemos que o
Papa virá nos visitar só conseguimos pensar em lhe comprar presentinhos cheios
de ouro.
*E por falar em tudo isso, estou
lendo (de novo) "O Crime do Padre Amaro" de Eça de Queirós, e com certeza
recomendo.
Escrito por Bozzo às 18h34
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Ajoelha e Reza
Educação, miséria, turismo sexual, e rebeldes visitando o senhor presidente: esse é o Brasil. Parece que a única coisa que cresce aqui são igrejas. E todo estabelecimento que vejo estar a alugar, dali uns três meses no máximo, surge um local para lavarmos nossos pecados, e bolsos também.
No meio da lama até uma cachaça pode parecer salvação, por que não uma igreja? Como faz bem ouvir alguém martelando que estamos sendo salvos; que estamos no caminho certo... Na lama, acreditamos até num pedaço de chiclete. Na lama, vale tudo.
O que não falta hoje são oportunidades pra chegar até Ele. A cada esquina temos uma casa de comunicação espiritual. Na tevê temos canais, e a igreja católica quer criar o seu terceiro canal nacional. A cada vinte estações de rádio brasileiras, uma é da igreja católica. Sem contar as evangélicas, universais e outras milhares.
Nunca Ele esteve tão perto assim. Tão fácil. No desconcerto do mundo, tantas salvações. Que bom que elas dão tão certo. Bom... Pelo menos são empresas rentáveis. O que não falta por aí, é gente na lama precisando de ajuda.
O mais interessante é que pra ficar perto Dele paga-se pedágio, tem que ter televisão e/ou aparelho de rádio.
E agora o papa vem aí.
São tantos problemas, encrencas e vexames; tantas ausências, omissões e negações; Tanta charlateza, mentira e oportunismo... Tanta miséria moral... É, até eu vou rezar.
Escrito por Giulia às 18h29
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A vida do lado de fora
A partir da adoção do Capitalismo como modo de produção, cada vez mais foi sendo necessário criar coisas que pudessem ser vendidas, afinal, a mercadoria é a partícula mais valorizada desse sistema, e que junto a outras partes o sustenta. E quando já não havia mais nada de útil ou inútil a se inventar para o uso humano, passou-se a vender os sentimentos, até que em um certo ponto a sociedade de consumo transformou o próprio ser humano em mercadoria.
Foi estabelecido um padrão físico e comportamental para o homem, padrão que todos são pressionados a seguir. A idéia de beleza que obviamente é relativa, e depende da visão pessoal de cada indivíduo, tornou-se única e comum a todos. A sociedade atual, com certeza vive a Era da Estética, da busca pelo “corpo perfeito”, para comprovar isso basta ligar a televisão e ver que o assunto está sempre em pauta. Quando se entrevista uma atriz, não é perguntado sobre seu trabalho, mas sim: “como você faz para ter esse corpo tão bonito?”.
É claro que, a grande maioria das pessoas não têm um tipo físico natural compatível com o considerado modelo, por isso são criadas, a cada dia, novas técnicas de emagrecimento rápido, tratamentos de pele, anabolizantes, cirurgias plásticas, etc. Tudo que faz efeito sem precisar do menor esforço de quem se interesse pelas fórmulas milagrosas, “somente” é necessário um grande desembolso financeiro para conseguir ser feliz. O dinheiro tudo resolve.
Mas essa felicidade é passageira. Dura até uma nova insatisfação, um novo defeito encontrado, uma nova necessidade de realização pessoal através do culto à futilidade. O imediatismo rege a vida moderna, ensina-se que a felicidade é um bem-estar instantâneo localizado, e não um estado fruto de uma série de eventos somados na vida, e que é sempre possível escapar de mal-estares e dissabores, satisfazendo desejos e comprando soluções.
A maior e mais recente prova de que chegamos ao limite dessa vida vivida apenas do lado de fora, foram as mortes de jovens por anorexia. Como a imagem pode valer mais que a própria vida? Como pode as pessoas perderem a sanidade psicológica, pela necessidade que sentem de seguir um padrão absurdo, e morrerem de fome tendo o que comer?
É preciso uma mudança urgente na forma de pensar, e na forma que cada um vê a si mesmo e aos outros. Também é necessária uma mudança nos valores, nas importâncias, colocar as qualidades que vêm de dentro à frente das que vêm de fora. O bom-caráter, a inteligência, sinceridade, o amor e amizade verdadeiros, que representam a verdadeira beleza do homem, têm que ser mais importantes que narizes, seios, abdomens e pernas, o contrário é inaceitável. O ser humano precisa voltar a ser humano, e deixar definitivamente de ser um objeto oco e vendável.
*Esse texto é um pouco diferente porque na verdade é uma redação, que apesar de alguns clichês achei que ficou razoável e resolvi colocá-la aqui. É isso. Será que eu passava? hahaha.
Escrito por Bozzo às 23h06
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Filhos da Guerra
Uma das estratégias realizadas na Guerra da Bósnia* foi o estupro. Os soldados
sérvios o faziam com o intuito de obrigar as mulheres da Bósnia darem luz a
filhos sérvios. E foi assim que mais de 10 000 mulheres foram violentadas.
Marcadas pra sempre. E muitas, como se não bastasse serem violentadas, o foram
na frente dos filhos.
A gravidez chega, e o desespero por estar gerando um fruto do trauma e
humilhação, e ainda com sangue sérvio, leva milhares de mulheres à beira da
loucura. Suicídios, abortos, abandonos... Mas, quando se percebe que a criança,
acima de tudo, de qualquer ódio, humilhação e origem, é um ser humano,
impossível não se enternecer. Isto é quando se percebe, pois, num momento desses
é muito difícil compreender que não existe só um lado, como existe também o lado
de uma vida, que tem todo o direito de sobreviver e viver.
E foi com esse pensamento que algumas mulheres deixaram as lamentações, o
nojo e o ódio, e se enveredaram em algo mais urgente, os filhos. Entre a flor e
a náusea, ficaram com a flor, apesar de as náuseas voltarem de vez em quando com
alguma lembrança, mas aí tem-se a flor. Isto não só para as mulheres que foram
estupradas, mas para aqueles que diante da situação do abandono, também deixaram
as diferenças de lado e adotaram essas crianças.
Estima-se que exista mais de 5000 crianças, agora adolescentes, que foram
concebidas na guerra. O impasse agora é de explicar suas origens. O maior medo é
das reações que eles possam ter, e se eles se amam o suficiente para não cometer
alguma loucura. E ainda existe a questão do preconceito.
Na Bósnia existe uma forte tendência de culpar as próprias mulheres por
terem sido estupradas e por gerarem sérvios. A náusea. E a situação civil? Se o
Estado da Bósnia não os reconhecer como cidadãos e admitir que eles existem,
conflitos futuros certamente virão.
O trauma, mesmo para aqueles que optaram pela flor, existe. Ele foi real,
aconteceu, não tem como apagar. Entretanto, diante das priorizações que fizeram,
o trauma não fica em primeiro lugar.
Os adolescentes estão no processo de
formação individual, portanto é importantíssimo uma base sólida, que
primeiramente, eles mesmos se reconheçam como indivíduos, e, se amem para
escolher o melhor. Entretanto os preconceitos irão os atingir (se já não estão).
Mas não somente pela raça, mas por serem filhos do inimigo, por serem frutos de
estupros, por serem frutos, de uma guerra.

*Na Iugoslávia, após a
desintegração da URSS, as diferenças étnicas, culturais e religiosas se
intensificaram, impulsionando os movimentos de independência (Iugoslávia era
formada por seis repúblicas). Destaca-se a Guerra da Bósnia pelas dimensões
trágicas. O conflito começa quando o nacionalismo sérvio clama pelo
ressurgimento da Grande Sérvia, que abrangia Sérvia e Montenegro, uma parte da
Croácia, e quase toda a Bósnia. Quando os bósnios decidem pela independência da
Bósnia-Herzegóvina, os sérvios não aceitam, dá-se início então a guerra
civil.
Limpeza étnica, reativação
dos campos de concentração da segunda grande guerra, mortes (200 000), e,
estupros.
Texto baseado na reportagem
feita pela CNN em 20/03 (quem quiser assistir aqui pela net, vale a pena):www.cnn.com/CNNI/Programs/untoldstories/blog/2007/03/this-week-children-of-war.html
Escrito por Giulia às 17h11
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Antes tarde do que nunca !
E não é esse o lema? Lema que nenhum de nós usa. Nós somos mais o “já que é tarde, deixa pra nunca”. E é o que é. E é o que há. Na verdade, muitas vezes nem constatamos que é tarde, dá uma preguiça... A partir daí, pula pro nunca, direto... No mais, algum pedágio da consciência lutando e lutando. Mas ela é sempre esbofeteada. Socada. Fincada na ponta da espada quase até morrer. Quase.
Ou senão, utilizamos o lema (frequentemente) quando estamos beirando a morte. Afinal, estamos quase mortos mesmo, que é que podemos perder, pedindo perdão pra fulano e pra sicrano?! É gente... Este lixo somos nós.
O importante é usar o lema de forma consciente, e não oportunista como a maioria dos pré-encaixãotados.
Mudando ligeiramente de assunto...
Parabéns pra Bozzo !!!!!!!!!!!!!!!!!!
[quarta-feira, dia 28/03]

* eu sei que estou atrasada... Mas antes tarde, do que nunca.
Escrito por Giulia às 20h36
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Ninguém regula a América
Na última semana recebemos a visita do presidente mais querido do mundo: Baby Bush. É impressionante como ele é reverenciado por onde passa, todos gostam dele, há manifestações de tanto apoio, deve ser por isso que ele se sente simplesmente Deus. Tudo é uma grande contradição, um destruidor que se diz salvador, protestos que geram mais poder. E a próxima visitinha que teremos esse ano será do não menos badalado Papa Bento XVI, é muita zica de uma vez! Aliás fiquei triste de saber que a incrível dupla nacional Sandy e Junior não irá mais cantar para o Papa, ele merecia tanto...mas já fiquei mais feliz de novo quando soube que entre os estudados para substituí-los estão Fafá de Belém e Roberto Carlos. Daniela Mercury foi dispensada por ter feito propaganda a favor do uso de preservativos, e por que será que desistiram deles agora? Será que descobriram que a Sandy não é mais...deixa pra lá, não é sobre isso que vim falar...
Estados Unidos da América, que país é esse? Não, não é um país. É um Império, o maior que já existiu, que domina simplesmente todo o planeta, o Império Capitalista, com o maior poder militar do mundo e comandado por George W. Bush. Os EUA não é tão poderoso à toa, usou (e usa) de muitos meios pra se fortalecer, com certeza meios não muito justos, ou melhor, DEMOCRÁTICOS, como diz a própria doutrina de seu presidente, manipulando, passando por cima, fazendo guerras e pressões. ‘Guerra contra o terror’, quanta contradição em uma só frase... Novas Cruzadas, é isso que vemos hoje, ataque aos mulçumanos (chamados de terroristas), ataque à resistência do oriente médio à influência norte-americana e ao modelo de sociedade de consumo ocidental.
Bush adora condenar governos que ele acha serem ditadores, defende a democracia em todo o mundo, mas onde estava a democracia quando eles testaram a bomba atômica no Japão matando 200 mil pessoas? Onde está democracia hoje no Iraque? Hipocrisia é a palavra, desculpas e mais desculpas... procurar Bin Laden, armas químicas, impedir que o Irã desenvolva tecnologia nuclear, enquanto eles possuem o maior arsenal de bombas nucleares do mundo e seguem matando inocentes todos os dias, tudo isso simplesmente pelo petróleo, quem são os terroristas mesmo?. Bases militares americanas cercam a Amazônia, pretexto: combater o narcotráfico.
Muitos vêem a negociação sobre o etanol como um grande progresso para o Brasil, eu não vejo assim. Eles terão o álcool combustível, mais barato e menos poluente. E nós o que teremos? Eu não terei nada, não sou usineira. Como sempre apenas um segmento social será beneficializado. Muita ingenuidade pensar que o Brasil irá progredir economicamente, exportamos soja como loucos e nem por isso melhoramos econômica e socialmente, muito pelo contrário. O desmatamento irá aumentar para viabilizar as plantações monocultoras de cana-de-açúcar, as queimadas de cana irão aumentar causando mais poluição e problemas de saúde, os trabalhadores continuarão morrendo (literalmente) de tanto trabalhar no corte da cana e os pequenos proprietários vão perder mais ainda o pouco espaço que têm para os latifúndios monocultores, causando todos os problemas que já conhecemos, inclusive a cada vez maior importação de alimentos num país de proporções continentais e uma terra maravilhosa para a agricultura.
Protestar contra os EUA não é só não beber Coca-Cola ou não usar Nike, afinal eles não produzem só isso e querendo ou não estamos sempre consumindo produtos de empresas dos países ricos. Protestar é mudar o pensamento, as idéias. É não acreditar em qualquer coisa que nos dizem, contestar, analisar, não ser ingênuo, enxergar os interesses que regem o nosso sistema. Pensar as coisas de um modo mais amplo, menos simplista e imediatista. Parabéns àqueles que protestaram nas ruas contra a vinda do Bush, eu queria estar lá, não estava, mas eu sei que de uma forma ou de outra eu sigo sem me calar diante do que eu vejo, e por mais que digam que de nada adianta, ao invés de estarem sentados pensando que o mundo é assim mesmo ou sendo manipulados e acreditando que isso é o certo, eles estavam fazendo alguma coisa.
*O título do texto é referência ao nome de uma música muito boa do Sepultura e O Rappa que fala o sobre esse assunto.
Escrito por Bozzo às 10h02
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The Bush is on the table
E ainda tem gente que diz não ter o que comer.
Levou o bush, de brinde mais 5000 bonecos atiradores, everything, on the table.
E ainda tem gente que diz não ter o que comer.
Só na paulista, segundos as peême, mais de 6000 famintos. Ou 10.000 (segundo eles mesmos). Os outros 4000 cansaram de disputar pelo prato, e foram logo consumir todo etanol possível, pro bush não levar nada. Isso, vamos beber tudo pro brush não levar nada! Viva o etanol!
E ainda tem gente que diz não ter o que comer. Porque beber a gente bebe. Bando de bebunsh.
Embushotaram todo mundo do hotel que o bushato, ops, bush, ficou. É porque ele não quer que o vejam sem estar sóbrio. Bobeira... O presidente daqui não liga pra isso não. E nem a gente. Será porque não estamos sóbrios? Mas não é ele que não está sóbrio? Mas então ele é um bebunsh... E nós, trebunsh.
E ainda tem gente que diz não ter o que comer.
O Brasalcool também é a terra das bushadas. A gente faz bushada de tudo.
E ainda tem gente que diz não ter o que comer.
Hoje de manhã vi um sapo na rua, todo estribushado. Coitado. Ele deve ter mencionado que o bush é um bushato. E as 5000 bushetes pisotebusharam-no.
The bush is on the table.
The bush in on the tape.
The bush is on the walls.
É bush na fita mano.
O bushato fez que fez que não fez nada.
Pronto, desembushei.
* inspirado nas colunas do José Simão
Escrito por Giulia às 21h02
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Ela, Eva
Jovem, bonita, culta... Adjetivos desejados por muitas pessoas, mas possuídos por uma sortuda. Sorte? Não seria ela mesma que lhe atribuíra tais qualidades? O que importa é que essa mulher existe. Eva é o nome. Primitivo, porém eterno.Forte, porém feminino. Paradoxo? Machismo? Verdade essencial e indispensável.
Cada caso, um caso. Cada pessoa, um indivíduo. Cada indivíduo, cada um. Eva é o nome. Só pensá-la e logo existe. Mil pessoas, mil pensamentos. Diversidade?Padronização? Eva é o nome.
Cansada de seus chás crepusculantes, de seus livros já lidos e novamente “reconferidos”, caminha em seu apartamento, que já fora menor. Crescera como gente, o apartamento. Todo dia, novidade, ou mesmice. Depende do lugar, da situação, do comportamento.
Ela gosta desse “tour” rotineiro, não sabia por que nem para quê. Só, sentia-se bem. A campainha toca, coisa que quase nunca acontece, já nem se lembrava mais o que fazer. Abrir a porta seria um ato instintivo. Normal. Algo lhe diz que deve fazer justamente isso. Delicadamente, tira a torrada com patê de ervas finas de sua boca, e seus lábios rubros por natureza, fecham-se por educação. Instinto? Não sei. Engole e vai em direção à porta. Abre-a com sofisticação, como se fosse ter alguém. Mas ninguém. Mais nada. Vê uma coisa indescritível e infinita por seus olhos. Não sabia o que era, a impressão que tinha, era que Tudo e Nada se envolveram num casamento extenso. Fica confusa e fecha a porta, já sem o receio de ter fechado na cara de alguém. Seu coração dispara e sua torrada segurada com tanta leveza, se esmigalha. Eva não entende o porquê da torrada e do resto.Simplesmente, no ato de se recompor, olha-se no espelho. Que imagem era aquela?Era ela, Eva? Um susto se espalha na Eva refletora, mas não na Eva refletida,que permanece parada, estatuada. O susto faz com que Eva refletora jogue as migalhas da torrada no espelho, que surpreendentemente se quebra em pedacinhos. A coragem de se ver corre para o quarto aos prantos. Deita-se na cama, e lá permanece.
Eva acorda atordoada e ainda se lembrava sonolentamente do acontecido. Não tinha a menor noção de tempo, seu relógio de pulso estava parado, ambos os ponteiros apontavam para o zero. Zero? E o doze? Quatro? Três?... Perdidos por aí no espaço. A ânsia inexplicável de saber se era dia ou noite a faz abrir com desespero a janela de seu quarto e através do vidro transparente, vê o que viu quando abriu a porta ontem. Ou hoje.
Sem horas, sem sol, sem lua, mas ainda tinha chão. Caminha até a sala, aparentemente normal. Olha para a esquerda e vê a porta fechada, e o espelho em pedacinhos. De repente, a coragem de se ver, caminha até os cacos. Eva pisa, mas não sente. Eva olha, e as vê, Evas. Milhares delas, incluindo ela, Eva. Sair? O indefinido tudo e nada a esperavam, não podia. Entrar? Nessa já estava, sempre esteve, sempre estará. Junta os cacos, que no fundo sabia, não eram seus cacos, e joga-os para fora, no tudo e nada.
A Eva lá ficou. Elas, as Evas, milhares delas, cada uma, cada indivíduo. Cada indivíduo, cada pessoa. Cada Eva, uma Eva. E esta, era ela, a Eva.

Escrito por Giulia às 18h19
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“Carnaval, carnaval, carnaval...fico tão triste quando chega o carnaval...”
Luiz Melodia
Ouvi uma vez que o brasileiro toma dois porres por ano: carnaval e futebol. Tive que concordar plenamente.
Quanto ao futebol, confesso ser suspeita para falar, adoro futebol, vejo, jogo, torço, e por mais que muitos digam que não passa de um jogo estúpido, com 22 idiotas correndo atrás de uma bola, a força que ele exerce sobre nós é enorme, a emoção que ele causa só quem sente entende. O time pro qual eu torço (o que não vem ao caso) há alguns anos que é uma grande porcaria, e mesmo que ele fosse uma maravilha, não mudaria nada na minha vida. A alegria ou tristeza causadas pelo futebol acaba depois dos 90 minutos, não passa de um entretenimento, um lazer, que em nada nos afeta diretamente, afinal somos meros espectadores.
Mas é claro que vemos que a maioria não pensa assim. Brigam, choram, morrem, matam, tudo por uma bola. A seleção brasileira não é um time de jogadores milionários que nem no Brasil vivem, não a seleção é o próprio Brasil em campo, é a nação, o Estado, o povo, tudo. Como dizem Copa do Mundo é a única diversão que o povo tem, e provavelmente ver a seleção vencer seja o único momento de orgulho da pátria que um brasileiro sente na vida. Realmente é uma situação deprimente, pessoas que fogem de suas frustrações e de suas próprias vidas nas quais não conseguem realizar nada, depositando todos seus sentimentos e esperanças num simples jogo.
Mas hoje, “quarta-feira de cinzas”, como fugir do carnaval? Não ele não é uma opção, se você mora no Brasil ele é uma obrigação, você goste ou não sua vida vai parar, seus ouvidos serão invadidos por sons horríveis e seus olhos por mulheres peladas. Televisão? Eu chamo de show de horror. Carnaval de Salvador? Algo bem parecido acontece durante o ano no interior de São Paulo, ricos (afinal todos sabemos a pequena fortuna que custam os tais abadás) bêbados e drogados, pulando descontroladamente em volta de um trio elétrico, se esmagando ao som de axé (e por favor, não me venham chamar isso de música, música tem letra e melodia, isso tem palavras e batuque), e beijando sem nenhum critério umas 50 pessoas, das quais cada uma já tinha beijado umas 50 pessoas, as quais já tinham beijado cada uma 50 pessoas, e enfim, por aí vai, no mínimo no fim de tudo você beijou por tabela no mínimo umas 125.000 pessoas (creio que quem tem essa coragem não deve acreditar em doenças e não ter noção do que é nojento), e estamos falando somente de beijos, porque tem as outras coisas é claro, mas deixa pra lá, porque eu acabaria vomitando.
Carnaval do Rio e São Paulo? Tudo bem, não vou criticar tanto, tem a sua beleza, e seu significado, com as Escolas que fazem desfiles interessantes e tudo o mais, mas eu acho uma grande contradição, que num país pobre como o Brasil, com tantos problemas, pessoas passando fome, favelas, etc, se faça uma festa onde para desfilar as Escolas de Samba gastem até 59 milhões de reais (isso cada uma), eu nem sei de onde vem todo esse dinheiro, e sinceramente nem quero saber, mas que não faz nenhum sentido não faz, principalmente se tratando de uma festa dita “do povo”, então o povo brasileiro anda tendo muito o que ostentar, além das suas mulheres nuas que vendem uma imagem muito deprimente da mulher brasileira. É só uma sugestão, mas que tal usar todo esse dinheiro em projetos sociais nas comunidades?
Se eu pudesse parar tudo isso por um minuto, eu perguntaria pra todas essas pessoas: “afinal, o que vocês estão comemorando?”. Eu juro que queria muito saber. Não quero dizer que só porque vivemos em um país tão complicado, com tantas mazelas, temos que ser tristes, não temos nenhum motivo para ficarmos alegres. Mas por que não fazemos uma mobilização nacional tão grande para defender por exemplo um interesse político da população? Para exigir uma vida melhor? Não é alegria e felicidade que eu vejo no carnaval, o que eu vejo é o desespero de pessoas que não tem em que se agarrar e tentam esquecer da realidade, o que eu vejo são pessoas ganhando dinheiro e muito pouco de folclore (que existe sim em muitas partes do país), vejo falta de seriedade, vejo manipulação, vejo o mesmo quadro de uma comemoração do título da Copa do Mundo, uma festa falsa, sem nenhuma realização interna de quem tanto comemora sem saber na verdade o que.
*E só pra não dizerem que eu sou dramática demais e que não gosto de nada (o que é apenas um grande boato, hahaha), nem tudo o que lembra o carnaval é tão horrível assim, e nossos ouvidos podem ser salvos nesses dias sem precisar sair totalmente do clima, portanto fica como dica o Cd “Bloco do Eu Sozinho” dos Los Hermanos, que tem músicas ótimas como por exemplo “Todo carnaval tem seu fim”, “Pierrot”, entre outras.
Escrito por Bozzo às 11h22
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Como não se sentir tocado?
Entre nossas letras há, milhares de anos. De vidas. De dinastias. Culturas. Tudo se converge no que chamamos de atualidade. Que foi sim, séculos atrás, e que agora, é hoje.
Entre nossas roupas há, milhares de anos. De estudos. De análises. De culturas. Selecionamos o que é melhor. Nós fazemos o darwinismo com o que é melhor para nós.
Entre nossas notas musicais há, milhares de anos. De empenhos. Dedicações. Aprimoramentos. Trabalhos. Lá, não é só lá, porque é simplesmente lá.
Entre nossas artes há, milhares de anos. De rabiscos. De rascunhos. De belezas de valores inestimáveis, um dia consideradas, lixo. Traços. Sínteses. Realidades. Dimensões. Indivíduos. Personalidades. De artistas rupestres à finos mestres.
Entre as dispersões, separações, apatriações, há, milhares de anos. E depois de tudo, a fé. Um povo escravizado, dominado, expulso, sem pátria, sem rumo, “errante”. Mas persiste. E a fé, imbatível através dos séculos. Uma pena que para poder consolidá-la, matam, bombardeiam... Existe algo mais sólido que uma fé a prova do tempo?
Entre a nossa postura há, milhares de anos. De evoluções. Fomos levantando. Subindo. Ampliando. De quadrúpedes a bípedes.
Entre a nossa matemática, física, química, biologia... há, milhares de anos.
Entre o remédio, a cura... A ciência, tecnologia, informática...
Há, milhares de anos.
Egípcios, Mesopotâmicos, Sumérios, Amoritas, Assírios, Caldeus, Hebreus, Fenícios, Persas, Gregos, Romanos... Faz tanto tempo. E olhamos para nossas letras e são só letras? Entre nossas letras há mais da humanidade que pensamos ter. Entre nossas letras há fenícios e também pirâmides. Entre nossas notas, há o cara do teorema. E como ele chama mesmo? “Teorema de ...” Sim, é ele mesmo. Muito mais que só triângulos. Nosso governo? Os gregos... Não vale culpá-los pelo nosso caos político-moral. E nem a Pitágoras os lixos musicais atuais. E nem aos Fenícios ou aos Egípcios o que desmiolados escrevem por aí.
E quanto a nossa luz?! Passamos o dia todo (principalmente a noite) com nossos atos praticamente involuntários de acender e apagar a luz. Sem nem perceber como ela foi parar no nosso teto. O que seria de nós, se não fosse Thomas Edison. E o avião? Santos Dummond. E o telefone? Graham Bell. Podemos falar que um dia alguém faria tudo isso. Pode ser. Mas não é incrível saber que somos nós? Que evoluímos. Que inventamos. Que aprendemos.
Impossível não se sentir tocado. Quando penso que nesse texto há muito mais que meros códigos, as mãos suam e vem um sentimento incodificável, de transcendência do tempo. Minhas mãos aprenderam coisas de milhares de anos!
E agora vem aquela pergunta: nós estamos fazendo o mesmo? Estamos contribuindo pra uma sociedade daqui a mil anos? Estamos respeitando toda uma história de evolução humana que transcende o tempo, os abalos, as derrotas e conquistas? Estamos nos respeitando?
Escrito por Giulia às 14h32
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Curiosidades e bizarrices
Por que sentimos cócegas?
Sentir cócegas é uma reação de pânico que o homem adquiriu para defender-se, respondendo rapidamente ao perigo. Por isso, gera sempre uma risada nervosa e desconfortável. Quando uma aranha tentava escalar as pernas de um de nossos antepassados, eram as cócegas que os faziam perceber e expulsar o bicho sem precisar entender exatamente o que acontecia. Por isso, somos incapazes fazer cócegas no próprio corpo (propositalmente) porque o cérebro prevê nossos movimentos antes que eles aconteçam, excluindo a sensação de perigo e pânico que provoca as cócegas.
Flatulência dos dinossauros pode ter causado sua extinção
Há várias teorias sobre a causa da extinção repentina dos dinossauros. Algumas apontam a queda de um meteoro, outras culpam uma transformação brusca nas condições climáticas do planeta e há ainda aqueles que dizem que os dinossauros sumiram da Terra por causa dos seus próprios gases intestinais. Segundo o jornal chinês Diário da Juventude de Pequim, que cita cientistas franceses anônimos, as flatulências dos dinossauros eram ricas em metano, um gás extremamente perigoso. O jornal afirma que "os animais, pesando entre 80 e 100 toneladas, devoravam em média entre 130 e 260 quilos de alimentos por dia. Eles deviam p... sem parar". A teoria explica que há 100 milhões de anos a atmosfera do planeta foi fortemente danificada pelo acúmulo de metano, o que causou danos à camada de ozônio e conseqüentemente a morte das plantas. Sem alimento, os dinos acabaram morrendo de fome, causada pela sua própria ventosidade.
Projetos políticos no mínimo diferentes
Proposições excêntricas de deputados e senadores fazem o anedotário dos parlamentos de todos os países. No Brasil, há coisas tão extraordinárias como o projeto de um ex-deputado gaúcho que desejava “fazer justiça aos perus”, denominando também de presunto as coxas e sobrecoxas dessas aves porque sua carne era tão saudável quanto a do porco e, portanto merecia o mesmo status. Para não ficar atrás, um deputado paulista propôs a criação do Dia da Refrigeração, argumento que seria de justiça “reconhecer a inegável importância do ar-condicionado e o papel da refrigeração como elemento chave do progresso e desenvolvimento da humanidade".
Bonecas Barbie enfileiradas dariam sete voltas na Terra
A famosa boneca Barbie, lançada em 1959, foi criada por Ruth Handler, uma das fundadoras da Mattel. A nome do brinquedo milhonário é uma homenagem à filha de Handler, Barbara, que a inspirou a criá-la quando brincava com bonecas adultas de papel. Desde seu lançamento, a coleção de bonecas já teve mais de um bilhão de unidades vendidas, número tão gigantesco que se elas fossem colocadas em fila, com os pés de uma sobre a cabeça da outra, elas dariam mais de sete voltas ao redor da Terra.
Gatos se lambem por precaução
Os gatos constantemente lambem o corpo todo, o que lhes rendeu a fama de bichos muito higiênicos. O ritual, que normalmente começa passando a áspera língua nas patas, que lavam a cabeça e orelhas, para depois lamber o restante do corpo, nasceu de um instinto de defesa do animal. Após as refeições, os antigos gatos se banhavam para retirar o cheiro do alimento que os impregnava, odor que poderia atrair a atenção de predadores diversos.
O Papai Noel foi reinventado pela Coca-Cola
A imagem do Papai Noel como conhecemos hoje foi criada em 1931 por um sueco beberrão chamado Haddon Sundblon, numa tentativa extremamente bem sucedida da Coca-Cola em conquistar o público infantil. Pensando em agarrar cedo a próxima geração de consumidores, a Companhia investiu na publicidade dirigida a menores de 12 anos, mesmo havendo um grande tabu quanto a isso na época. Esse enfoque acabou reformulando a cultura popular americana. O Papai Noel de Sundblon era o homem da Coca-Cola perfeito - eternamente alegre, alto, vermelho vivo, metido em situações engraçadas envolvendo um conhecido refrigerante como recompensa por uma dura noite de trabalho entregando brinquedos.
*Fonte: Terra - Curiosidades
Escrito por Bozzo às 18h17
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Que tal uma tragada?
Está muito enganado quem diz que fumar não tem nada de bom. Ficam enchendo as mentes humanas, fazendo lavagem cerebral dizendo que cigarro mata... Ah EU não morro por causa de um cigarrinho... Uns cigarrinhos... Um macinho de cigarrinhos... Enfim, uns macinhos de cigarrinhos.
O cigarro é coisa antiga. Meu avô fumou a vida inteira e nunca morreu de câncer de pulmão. No século 19 um bom cigarrinho ainda não era costume. Ele só decolou quando o americano James A. Bonsack inventou uma máquina de enrolar até 200 cigarros por minuto (quem dera eu tivesse uma dessa, além de não ter que ir no boteco da esquina ainda ia ficar rico).
Durantes as guerras mundiais os soldados fumaram bastante... Por isso são equilibrados, é claro.
O cigarrinho agora, se torna glamouroso na boca das maiores estrelas hollywoodianas.Modernidade.
Equilíbrio, modernidade... Quer coisa melhor?
Ora, se os fabricantes, que, diga-se de passagem, são quem realmente entendem da coisa... Levaram 40 anos para admitir que fumar pode causar o câncer de pulmão, quer dizer que eu é que não vou ter. Isso foi em 1950, agora é 2006.
Doutores e mais doutores... Que é que doutor entende de um bom pito?! Ficam falando que o fumo provoca uma reação inflamatória não só nos pulmões como em todo o aparelho respiratório. Que primeiramente a temperatura da fumaça queima toda a via aérea e que é por isso que os principiantes tossem e sentem um leve desconforto. Eu não.
Também dizem que além da temperatura existe a toxicidade do material do cigarro que nos prejudica. E por esses motivos que a produção de muco aumenta, pois eles funcionam como capa protetora do tecido epitelial, que reveste as vias aéreas. Sem contar no escândalo que ficam fazendo em cima dos nossos alveolinhos insignificantes...
Ficam dizendo que aos 30, o fumante sobe com muita dificuldade um simples lance de escada. Ah, me poupe. Eu subo a escada do cristo redentor numa boa. É... da última vez q eu fui lá eu acabei desmaiando, mas foi o calor claro, e nada melhor pra me levantar que um outro fuminho.
Hipertensão, alterações cardiovasculares. Eu não acredito nessas coisas. Meu, se eu fumo, não tem nada a ver com meu coração. Mas me lembro da escola, que a troca gasosa tinha alguma coisa a ver com as batidas do coração. O que se aprende na escola a gente nunca usa mesmo.
Aaarrgghh... Cof cof cof...gruuhum To com uma gripe que não sara. Bom, e aí?! Vamos esquecer (gruuhun)... Onde eu estava mesmo? Nada melhor para lembrar das coisas que um cigarro. Onde que tá meu isqueiro?
Escrito por Giulia às 13h42
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Sobre
Bozzo
Giulia
Biscoito no Leite é um projeto de duas garotas que surgiu de uma foto bizarra com a face de uma das integrantes (que não diremos qual é) um tanto arredondada, tudo bem, uma bola, uma circunferência, enfim, uma bolacha, e em meio às risadas surge o nome. Pensamos numa banda, mas pensando duas vezes, era uma má idéia. Aí sim aparece a grande idéia: um jornal. Mas descobrimos que fazer um jornal não é tão simples assim, ainda mais com uma equipe tão vasta, e enquanto o jornal não sai, decidimos fazer um blog, publicando nossos textos e idéias pra quem quiser ler. Para saber mais leia o primeiro post (e os outros claro). E qualquer dúvida, reivindicação, convite, elogio, patrocínio, empréstimo financeiro, crítica (não né), desabafo, sugestão: biscoitonoleite@gmail.com, e quem sabe você terá a sorte de ter uma migalha de nossa atenção.
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